Reforma Tributária no varejo: o que muda para a sua loja e o que o sistema precisa fazer
IBS e CBS não são só uma sigla nova na nota. Mudam a base de cálculo, o layout do documento fiscal, o crédito que a sua loja aproveita e o preço que você coloca na etiqueta. Esta página explica o calendário, o que muda na prática no balcão e como o ERPPro está estruturado para atravessar a transição sem trocar de sistema no meio.

Por que isso é problema de lojista, não só de contador
O contador cuida da apuração. Mas quem emite a nota é a sua loja, e quem define o preço da etiqueta é você. Se o cadastro de produto estiver errado, o erro sai em cada cupom emitido no balcão — e a conta chega depois, corrigida com multa.
- O documento fiscal ganhou campos novos: quem emite com layout antigo tem nota rejeitada
- O crédito passa a depender do que está na nota de entrada — comprar sem registrar direito vira imposto pago a mais
- O preço de venda muda de lógica: o tributo deixa de estar embutido “por dentro” da forma como era
- Durante a transição, os dois modelos convivem — o sistema precisa calcular os dois ao mesmo tempo
- NCM e natureza de operação mal cadastrados viram erro de alíquota em escala
O calendário, em quatro etapas
A reforma não vira a chave de um dia para o outro. Ela avança por fases, e cada fase pede uma coisa diferente do sistema.
Ano de teste
Alíquotas simbólicas de CBS e IBS, com foco em adequar documento fiscal e obrigações acessórias. É a fase de acertar o cadastro sem risco de caixa.
CBS em cheio
PIS e COFINS saem de cena e a CBS passa a valer integralmente. O Imposto Seletivo entra para os produtos alcançados.
Transição do IBS
ICMS e ISS vão sendo reduzidos e o IBS vai assumindo, de forma progressiva. Os dois modelos convivem na mesma operação.
Modelo pleno
ICMS e ISS extintos. Sobram IBS, CBS e o Imposto Seletivo, com crédito amplo sobre o que a empresa adquire.
As regras estão na Emenda Constitucional 132/2023 e na Lei Complementar 214/2025. Acompanhe o texto oficial no portal da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda e a íntegra da LC 214/2025 no Planalto. As mudanças de layout do documento fiscal são publicadas em notas técnicas no Portal da NF-e.
O que muda na prática, no balcão
Na nota fiscal
Campos novos para IBS, CBS e Imposto Seletivo no layout. Emitir com a versão antiga passa a ser rejeição na SEFAZ, não aviso.
No cadastro do produto
NCM correto deixa de ser detalhe e vira o que define a alíquota. Cadastro genérico vira erro repetido em cada venda.
No crédito
O modelo é não cumulativo: o tributo da compra vira crédito. Nota de entrada não registrada é crédito perdido.
No preço de venda
Com a base de cálculo mudando, o markup precisa ser refeito. Repassar o custo velho é apertar a própria margem.
Na convivência
Durante a transição, a mesma venda carrega tributo do modelo antigo e do novo. O sistema precisa calcular os dois.
No contador
A apuração muda de lógica. Ele vai pedir o arquivo fiscal do período com a informação organizada do jeito novo.
Como o ERPPro está estruturado para a transição
A pergunta que todo lojista faz é se vai precisar trocar de sistema no meio da reforma. A arquitetura do ERPPro foi montada para que a resposta seja não.
Preparado para IBS e CBS
A estrutura fiscal já está organizada para o novo modelo de tributos sobre consumo que substitui ICMS, ISS, PIS e COFINS.
Transição gradual
O sistema opera no período de convivência entre o modelo atual e o novo, sem quebrar a operação da loja.
Base única de cálculo
Preparação para o cálculo sobre valor agregado, eliminando a cumulatividade e facilitando a conferência contábil.
Classificação fiscal estruturada
Cadastro de produtos, NCMs e naturezas de operação organizados para a migração às novas regras.
Arquitetura flexível
ERP desenvolvido para atualização fiscal contínua — sem necessidade de trocar de sistema no meio da reforma.
Governança e compliance
Rastreabilidade das informações para contador e Fisco, com mais previsibilidade e menos risco fiscal.
IA para NCM
Classificação fiscal assistida no cadastro do produto, que é exatamente onde o erro de alíquota nasce.
Atualização em massa
Alteração de alíquotas e parâmetros fiscais em múltiplos produtos de uma vez, em vez de item a item.
Obrigações fiscais
Geração de SPED Fiscal e SINTEGRA e inventário fiscal por período, com histórico organizado para auditoria.
O que a sua loja deveria fazer agora
A fase de teste existe para você errar sem custo. Quem usar esse período para arrumar o cadastro chega na virada sem sobressalto.
| Frente | O que fazer | Por que agora |
|---|---|---|
| Cadastro de produtos | Revisar NCM item a item, começando pelos de maior giro | O NCM define a alíquota. Errado, o erro se repete em toda venda |
| Entrada de mercadoria | Garantir que toda nota de compra entre pelo XML | No modelo não cumulativo, entrada não registrada é crédito perdido |
| Natureza de operação | Padronizar as naturezas usadas na loja e no PDV | É o que amarra CFOP e tributação na emissão |
| Preço e margem | Recalcular markup em cima da nova base | Repassar o custo antigo come a margem sem você perceber |
| Certificado digital | Conferir validade e renovar com folga | Certificado vencido é loja parada, sem emitir nada |
| Contador | Alinhar qual arquivo ele vai precisar e com que frequência | A apuração muda de lógica e o pedido dele também |
Perguntas frequentes sobre a Reforma Tributária
O que são IBS e CBS?
São os dois tributos que substituem os cinco atuais sobre consumo. A CBS é federal e ocupa o lugar de PIS e COFINS. O IBS é de estados e municípios e ocupa o lugar de ICMS e ISS. Ambos seguem o modelo de imposto sobre valor agregado, com crédito do que foi pago nas etapas anteriores.
O que é o Imposto Seletivo?
É um tributo federal que incide sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Não alcança o varejo em geral — atinge categorias específicas definidas na legislação.
Minha loja é Simples Nacional. Muda alguma coisa?
O Simples Nacional continua existindo. O que a empresa do Simples precisa avaliar é a questão do crédito: no novo modelo, o cliente que compra da sua loja pode ter tratamento diferente de crédito conforme o regime que você adota. Essa é uma decisão a tomar com o seu contador, olhando o seu perfil de cliente.
Vou precisar trocar de sistema?
Depende do sistema. O que a transição exige é atualização contínua do layout fiscal e capacidade de calcular os dois modelos durante a convivência. O ERPPro foi desenvolvido com arquitetura flexível justamente para receber essas atualizações sem troca de plataforma.
Preciso mudar meus preços?
Precisa recalcular. Com a mudança na base de cálculo e no aproveitamento de crédito, manter o mesmo markup sobre o mesmo custo pode significar margem menor sem que apareça de imediato. Acompanhe a margem bruta no painel do dono durante a virada.
Por que o NCM virou tão importante?
Porque é a classificação que determina o tratamento tributário do produto. No modelo novo, com alíquotas e regimes diferenciados definidos por classificação, um NCM genérico deixa de ser um detalhe de cadastro e passa a produzir imposto errado em toda venda daquele item.
O que acontece se eu emitir nota com o layout antigo?
A nota é rejeitada pela SEFAZ e a venda não se conclui fiscalmente. Por isso as mudanças de layout são publicadas antecipadamente em nota técnica no Portal da NF-e, para que os sistemas se atualizem antes da data de obrigatoriedade.
Como garanto que não vou perder crédito?
Registrando toda nota de compra. O crédito nasce do documento fiscal de entrada — mercadoria que chega na loja sem a nota entrar no sistema é crédito que não existe na apuração. Por isso a entrada de nota fiscal automática pelo XML deixa de ser conveniência e vira controle fiscal.
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